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Como saber qual a melhor via de parto para a paciente?

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Durante as consultas de pré-natal, me deparo com uma dúvida muito comum entre as pacientes: “como saber se posso ter parto normal ou se será cesariana?” “É possível saber a resposta só pelo toque vaginal durante o pré-natal?” Outras frases que encontro frequentemente são: “Minha família toda nasceu de cesariana, então meu parto não pode ser normal”. “Eu sou muito baixinha, não posso ter parto normal”. “Será que vai ter passagem, doutor?”

A primeira informação que devemos dar a essas pacientes é que, exceto em casos específicos em que o parto normal é contraindicado, só iremos saber se a parturiente irá evoluir para parto normal quando a mesma entrar em trabalho de parto. Ou seja, não podemos afirmar que a paciente “não tem passagem” só pelo toque vaginal durante o pré-natal.

É necessário que a paciente passe pela chamada Prova de Trabalho de Parto, em que são observadas contrações uterinas, espontâneas ou induzidas artificialmente, rítmicas e progressivas, objetivando o apagamento e a dilatação do colo uterino.

Qual a melhor via de parto?
Se, em algum momento do trabalho de parto, o colo uterino se mantiver com a mesma dilatação, mesmo na presença de contrações rítmicas e eficazes, pode-se pensar em parada secundária da dilatação cervical por desproporção céfalo-pélvica (DCP), a tal da “não tem passagem”. Ou ainda, se o colo está totalmente dilatado e o bebê não nasce (ou não desce), pensa-se em parada da descida, também secundária a DCP.

Ou seja, para o diagnóstico de DCP, a paciente precisou entrar em trabalho de parto (espontâneo ou induzido). Mas então, porque encontramos tantos casos de cesariana indicados mesmo antes de a paciente entrar em trabalho de parto?

Para respondermos a essa pergunta precisamos entender que a cesariana tornou-se uma epidemia no Brasil. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que nosso país ocupa a segunda posição no ranking de países com maior porcentagem de cesáreas no mundo, com uma taxa de 55%, atrás apenas da República Dominicana.

Sobre a cesariana
Por ser uma cirurgia de médio porte, a cesariana predispõe a diversas complicações, tais como infecção puerperal, gravidez ectópica, histerectomia intraparto ou puerperal, acidentes tromboembólicos, má implantação placentária na gestação posterior (como placenta prévia) e distúrbio respiratório no recém-nascido, além da prematuridade iatrogênica.

Segundo o Conselho Federal de Medicina, no Brasil, o índice de morte materna em casos não complicados é de 20,6 a cada 1000 cesáreas. Em contrapartida, são 1,73 mortes para 1.000 nascimentos de parto normal.

Podem-se citar alguns fatores que explicam esse crescente numero de parto cesariano:

- Medo das dores das contrações;
- Medo de lacerações perineais;
- Medo de prolapso genital no futuro;
- Medo de incontinência urinaria e/ou fecal no futuro;
- Menor tempo cirúrgico de uma cesariana (algumas demandam menos de uma hora) em relação ao maior tempo de acompanhamento de um trabalho de parto (que pode demorar até 18 horas).

Em contrapartida, é exatamente nesse cenário que surge um outro extremo grupo de pessoas que condenam totalmente a cesariana, considerando este procedimento, de forma injusta, como um caso de violência obstétrica.

Esse pensamento não leva em consideração que a cesárea é uma intervenção efetiva para salvar a vida de mães e bebês, porém apenas quando indicada por motivos médicos. Nessa briga toda, as pessoas acabam se dividindo entre dois grupos (aqui exagerados por mim): 1) “Parto normal não deveria existir no mundo moderno” versus 2) “A cesariana deveria ser proibida”.

Quanto maior a briga, maior a desinformação (ou a informação errada) passada para as pacientes. E quando isso acontece, a alternativa que essa mulher acaba tendo é procurar informações muitas vezes distorcidas em outros meios de comunicação.

Por isso, para mudar essa realidade, é imprescindível que o pré-natalista oriente bem suas pacientes, ofertando informações corretas sobre os prós e contras do parto normal e da cesariana eletiva. Uma boa interação entre o profissional de saúde e sua paciente garante um bom relacionamento entre as duas partes, deixando a gestante mais aberta ao diálogo, mais à vontade em escutar e pensar sobre as informações baseadas em evidência científica.

Fonte: Portal PEBMED

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